"Vamos fazer como se fosse um peixinho", professora de natação explicando para mim mãe que é possível respirar na àgua e também abrir os olhos. Olha as perninhas! Agora ela quase consegue boiar na água e está decidida a aprender a nadar.
- Mãe porque você não entra na hidroginástica?
- Eu quero nadar.
- Mas a turma da hidro tem mais ou menos a sua idade.
- Coisa mais boba ficar batendo o pé na água...
Dia 22 de outubro minha mãe completa 60 anos. Nunca tinha visto ela tão feliz quanto agora. Mamãe conta para todo mundo que está aprendendo a nadar, conta dos progressos na natação como se estivesse com apenas 10 anos. Talvez nos momentos dentro da piscina ela tenha apenas isso. A felicidade e a determinação dela são admiráveis.
Eu também estou aprendendo a nadar... Isso é uma outra história.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
sábado, 29 de agosto de 2009
Passo a maior parte do tempo sozinha. E talvez, por isso, eu pense muito na solidão. Eu tenho medo de envelhecer sem filhos, sem um companheiro e sem amigos. Hoje, eu não sou infeliz, mas ando com tanta vontade de ter alguém para chamar de meu amor. Depois de algum tempo sem ninguém acho que estou anestesiada.
Uns anos depois da adolescência eu ainda acreditava em alma gêmea. Passei tanto tempo procurando por ele, que acho que ele passou por mim e acabei o perdendo de vista. Olhei em volta, tentei ler olhares, me apegar em pistas, eu quis acreditar em adivinhos e na pior das hipóteses acreditei na minha mediunidade. É possível sonhar com alguém que você nunca viu na vida e o conhecer um mês depois? Eu sonhei com alguém. Assim, como num sonho ele se foi... Meio abstrato e totalmente inexplicável.
Depois tentei me apegar aos Ogros que apareciam mas eles também não eram... ou não se empenharam em ficar. Acredite! Ogro não vira príncipe quando você o beija!
Agora tento ser pragmática focar meus esforços em coisas que parecem ser controláveis. Tentar ou não uma vaga no mestrado? Começar uma nova carreira? E passar na prova do Detran.
Estou em busca de um sentindo para vida.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
E o povo Lulou
Os rostos estavam pintados de verde, amarelo e preto. Idosos, crianças, mães, pais, jovens, deficientes físicos... A massa estava lá e além da esperança elas traziam no olhar, havia também a expectativa por um momento mágico no encontro com presidente Lula. Eu queria chegar em cada pessoa que estava ali e tentar compreender o que aquele homem significava para elas.
Foi só me aproximar da grade e começar a conversar com uma criança, que várias pessoas chegaram até a mim com um convite em mãos. Elas haviam se cadastrado no programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida e talvez por isso tenham recebido a cartinha do prefeito Iris, em suas casas. Na carta uma espécie de convocação para ver o presidente. Na cabeça de muitas delas era uma possibilidade de garantir a casa própria. Como? Elas acreditavam que estarem ali, na tarde da quinta 13, de agosto, possibilitaria a elas uma vaga no programa do governo.
" O lula é muito bom pra gente!" O menino Gabriel, com lágrimas nos olhos, resumia sua ida até a praça cívica. Ele queria ver de perto o homem que estava mudando a vida deles. Filho de uma mãe deficiente física, catadora de papel e sonhadora. A mãe do pequeno Gabriel sonha em ver os três filhos doutores e com sua casa própria. Para eles o Lula se resume em esperança.
Naquele dia eu vi apenas um líder carismático e um povo hipnotizado por uma espécie de mito.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Decidir ficar 'bonita' e ter uma vida mais saudavel é terrivelmente sacrificante.
Não pode comer chocolates, não pode ficar com preguiça no sofá, não pode esquecer o protetor solar, não pode lavar o cabelo com qualquer shampoo, não pode sonhar com frituras e...
Só pode comer coisas saudaveis e em pequenas quantidades. Eu queria ficar magra frequentando a Richesse e a Fredissimo todos os dias.
domingo, 26 de julho de 2009
Sobre a morte
Ontem, sábado, acordamos assim:
-Seu avô morreu.
Foi um telefonema, da tia Aparecida (irmã caçula da minha mãe )
O que quero contar é... Estávamos nos preparando para a festa de 90 anos do Gerson Felipe, meu avô materno. Dia 15 de agosto, de 1919. Essa é a data em que ele nasceu, está escrita lá em seus documentos pessoais. Sabe o que ocorria nos últimos dias? Ele passava o dia insistindo que não faria 90 anos. Conclusão: Eramos burros e não sabíamos contar.
"Eu faço 89 anos e não vou fazer 90 anos. Porque 90 eu não faço", era assim toda vez que alguém falava de seus 90 anos.
Vovô se conformou e aceitou a festa de aniversário, mesmo jurando que completaria 89 anos. Nos últimos dias era só expectativa. Os irmãos que há muito não via, seriam convidados. Tio Chico, Tio Coco, Manuel e Jales (foram ao velório). Existia esperança em ver juntos todos os netos, filhos, genros, bisnetos e tataranetos. Seria uma grande festa a moda dos 'Felipes'. Não tenho dúvidas que seria. Como todas as festas 'dos Felipes' rolaria barraco, abraços, reencontros, fofocas, beijos, crianças e muita alegria. Rola lágrimas. As vezes arrependimento em alguns olhares e em certa medida alguma exclusão.
Não tenho dúvidas que seria um grande dia e uma grande festa.
Sobre meu avô
Seu Gerson não foi o melhor avô do mundo (pelo menos para mim). Mas teve muito trabalho nessa vida. Ele liderou uma família composta por 9 filhos, sendo sete mulheres e dois homens. Foi forte o bastante para enterrar o filho, Wagner (morreu jovem com seus 20 poucos anos, alguns dias antes deu nascer) e a mulher, Dona Maria ( morreu quando eu morava em Natal). Minha vó era mais forte que meu avô ( pelo menos era assim que me contavam) e por isso por muitos anos escondeu que ele era um galinha. Por isso, também, ergueu o carro para desatola-lo do barro (com meu avô dentro), suportou picada de cobra e escorpião e morou numa espécie de galinheiro ( esse de verdade).
Ela, dona Maria, sabia que eu gostava de Goiabada, por isso mandou para mim em Natal, aquela gostosa que só ela sabia fazer. Ele, seu Gerson, ficou emocionado ao pegar o meu convite de formatura. Passou horas olhando a minha foto e passando a mão sobre ela.
Meu avô não sabia dizer não e por isso 'alguns' pegavam dinheiro com ele emprestado e nunca devolviam. Como o devedor não pagava, um mês depois ele se encumbia de contar para todas as filhas, que contavam para todos os netos e que por fim virava uma roda. O devedor no fim do segundo mês, por meio do telefone sem-fio, já havia virado uma espécie de 'ladrão', sem que o fosse. Isso porque 'nos Felipes' o que mais se faz é falar. Falam de tudo e de todos. ( Eu não me excluo, porque fui a única que virou uma fofoqueira profissional: jornalista!)
Seu Gerson adorava todos os genros e falava todas as bobagens possíveis. Antes de morrer comprou um remédio genérico do Viagra (dessa vez ele contou para o neto). E foi uma neta que encontrou a caixa do remédio, no dia que ele morreu. E na cartela faltava um comprimido. ( Quem sabe esse não foi o desencadeante da morte ? )
Morreu dormindo. Morreu sem problemas graves de saúde. Em casa, sozinho e livre como ele gostava de ser. Foi enterrado 13 anos depois de vovó, ao lado dela e perto do filho, 27 anos depois.
Achei que não iria chorar. Porque era ele. Quando vi o caixão entrando na terra e os soluços por perto. Sabe? Eu chorei. Era ele também que iria embora, meu único avô vivo. E foi ontem, também, que me perdoei. Eu enterrei os meus fantasmas e o meu pavor.
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