sábado, 29 de agosto de 2009


Passo a maior parte do tempo sozinha. E talvez, por isso, eu pense muito na solidão. Eu tenho medo de envelhecer sem filhos, sem um companheiro e sem amigos. Hoje, eu não sou infeliz, mas ando com tanta vontade de ter alguém para chamar de meu amor. Depois de algum tempo sem ninguém acho que estou anestesiada.

Uns anos depois da adolescência eu ainda acreditava em alma gêmea. Passei tanto tempo procurando por ele, que acho que ele passou por mim e acabei o perdendo de vista. Olhei em volta, tentei ler olhares, me apegar em pistas, eu quis acreditar em adivinhos e na pior das hipóteses acreditei na minha mediunidade. É possível sonhar com alguém que você nunca viu na vida e o conhecer um mês depois? Eu sonhei com alguém. Assim, como num sonho ele se foi... Meio abstrato e totalmente inexplicável.

Depois tentei me apegar aos Ogros que apareciam mas eles também não eram... ou não se empenharam em ficar. Acredite! Ogro não vira príncipe quando você o beija!

Agora tento ser pragmática focar meus esforços em coisas que parecem ser controláveis. Tentar ou não uma vaga no mestrado? Começar uma nova carreira? E passar na prova do Detran.
Estou em busca de um sentindo para vida.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

E o povo Lulou

Os rostos estavam pintados de verde, amarelo e preto. Idosos, crianças, mães, pais, jovens, deficientes físicos... A massa estava lá e além da esperança elas traziam no olhar, havia também a expectativa por um momento mágico no encontro com presidente Lula. Eu queria chegar em cada pessoa que estava ali e tentar compreender o que aquele homem significava para elas.

Foi só me aproximar da grade e começar a conversar com uma criança, que várias pessoas chegaram até a mim com um convite em mãos. Elas haviam se cadastrado no programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida e talvez por isso tenham recebido a cartinha do prefeito Iris, em suas casas. Na carta uma espécie de convocação para ver o presidente. Na cabeça de muitas delas era uma possibilidade de garantir a casa própria. Como? Elas acreditavam que estarem ali, na tarde da quinta 13, de agosto, possibilitaria a elas uma vaga no programa do governo.
" O lula é muito bom pra gente!" O menino Gabriel, com lágrimas nos olhos, resumia sua ida até a praça cívica. Ele queria ver de perto o homem que estava mudando a vida deles. Filho de uma mãe deficiente física, catadora de papel e sonhadora. A mãe do pequeno Gabriel sonha em ver os três filhos doutores e com sua casa própria. Para eles o Lula se resume em esperança.
Naquele dia eu vi apenas um líder carismático e um povo hipnotizado por uma espécie de mito.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Decidir ficar 'bonita' e ter uma vida mais saudavel é terrivelmente sacrificante.

Não pode comer chocolates, não pode ficar com preguiça no sofá, não pode esquecer o protetor solar, não pode lavar o cabelo com qualquer shampoo, não pode sonhar com frituras e...

Só pode comer coisas saudaveis e em pequenas quantidades. Eu queria ficar magra frequentando a Richesse e a Fredissimo todos os dias.

domingo, 26 de julho de 2009

Sobre a morte

Ontem, sábado, acordamos assim:
-Seu avô morreu.
Foi um telefonema, da tia Aparecida (irmã caçula da minha mãe )
O que quero contar é... Estávamos nos preparando para a festa de 90 anos do Gerson Felipe, meu avô materno. Dia 15 de agosto, de 1919. Essa é a data em que ele nasceu, está escrita lá em seus documentos pessoais. Sabe o que ocorria nos últimos dias? Ele passava o dia insistindo que não faria 90 anos. Conclusão: Eramos burros e não sabíamos contar.
"Eu faço 89 anos e não vou fazer 90 anos. Porque 90 eu não faço", era assim toda vez que alguém falava de seus 90 anos.
Vovô se conformou e aceitou a festa de aniversário, mesmo jurando que completaria 89 anos. Nos últimos dias era só expectativa. Os irmãos que há muito não via, seriam convidados. Tio Chico, Tio Coco, Manuel e Jales (foram ao velório). Existia esperança em ver juntos todos os netos, filhos, genros, bisnetos e tataranetos. Seria uma grande festa a moda dos 'Felipes'. Não tenho dúvidas que seria. Como todas as festas 'dos Felipes' rolaria barraco, abraços, reencontros, fofocas, beijos, crianças e muita alegria. Rola lágrimas. As vezes arrependimento em alguns olhares e em certa medida alguma exclusão.
Não tenho dúvidas que seria um grande dia e uma grande festa.
Sobre meu avô
Seu Gerson não foi o melhor avô do mundo (pelo menos para mim). Mas teve muito trabalho nessa vida. Ele liderou uma família composta por 9 filhos, sendo sete mulheres e dois homens. Foi forte o bastante para enterrar o filho, Wagner (morreu jovem com seus 20 poucos anos, alguns dias antes deu nascer) e a mulher, Dona Maria ( morreu quando eu morava em Natal). Minha vó era mais forte que meu avô ( pelo menos era assim que me contavam) e por isso por muitos anos escondeu que ele era um galinha. Por isso, também, ergueu o carro para desatola-lo do barro (com meu avô dentro), suportou picada de cobra e escorpião e morou numa espécie de galinheiro ( esse de verdade).
Ela, dona Maria, sabia que eu gostava de Goiabada, por isso mandou para mim em Natal, aquela gostosa que só ela sabia fazer. Ele, seu Gerson, ficou emocionado ao pegar o meu convite de formatura. Passou horas olhando a minha foto e passando a mão sobre ela.
Meu avô não sabia dizer não e por isso 'alguns' pegavam dinheiro com ele emprestado e nunca devolviam. Como o devedor não pagava, um mês depois ele se encumbia de contar para todas as filhas, que contavam para todos os netos e que por fim virava uma roda. O devedor no fim do segundo mês, por meio do telefone sem-fio, já havia virado uma espécie de 'ladrão', sem que o fosse. Isso porque 'nos Felipes' o que mais se faz é falar. Falam de tudo e de todos. ( Eu não me excluo, porque fui a única que virou uma fofoqueira profissional: jornalista!)
Seu Gerson adorava todos os genros e falava todas as bobagens possíveis. Antes de morrer comprou um remédio genérico do Viagra (dessa vez ele contou para o neto). E foi uma neta que encontrou a caixa do remédio, no dia que ele morreu. E na cartela faltava um comprimido. ( Quem sabe esse não foi o desencadeante da morte ? )
Morreu dormindo. Morreu sem problemas graves de saúde. Em casa, sozinho e livre como ele gostava de ser. Foi enterrado 13 anos depois de vovó, ao lado dela e perto do filho, 27 anos depois.
Achei que não iria chorar. Porque era ele. Quando vi o caixão entrando na terra e os soluços por perto. Sabe? Eu chorei. Era ele também que iria embora, meu único avô vivo. E foi ontem, também, que me perdoei. Eu enterrei os meus fantasmas e o meu pavor.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Pesadelos de Anita


Anita, uma garota cheia de complexos, tem sonhos loucos. Outro dia, ela me contou, que perdeu o ônibus e entrou no que vinha depois. E disse, com sua voz de menina, para que eu pensasse naquela viagem como um devaneio do seu inconsciente e que nele estão as chaves perdidas que dão acesso aos seus segredos: Complexo, medos, angústias e desejos.
É interessante poder contar o sufoco daquela noite. Rodou a catraca. Olhou para o assoalho do busão e lá estavam os três corpos. O assassino parecia vidrado. As vítimas estavam espalhadas: uma na vertical, outra na horizontal e uma inclinada. Um dos mortos havia sofrido mais, o assassino teve um grande prazer e o rasgou inteiro. Para a meia dúzia de passageiros do ônibus aquilo era natural, ninguém parecia desesperado para descer.
Anita precisava de um lugar para aguardar a chegada ao seu ponto. A espera parecia eterna e ao olhar pela janela notou que pegou o veículo errado. O caminho que percorria era completamente desconhecido da garota. Eram longos terrenos descampados e com ruas cheias de obras inacabadas. Anita se desesperava e ninguém parecia notar que pessoas estavam mortas. Ninguém parecia mesmo se importar.
Pouco tempo depois, uma jovem morena, barriguda, parecia grávida, encostou em Anita. Ela parecia necessitar das energias da menina e habilidosamente sugava suas energias. A morena tinha apenas um olhar gelado e fixo na nuca da garota.
Pontos e mais pontos passavam e nada do motorista parar. Ninguém parecia querer descer do ônibus, o assassino permanecia no fundo, com seu olhar de “desculpado”, e a luz de alerta acesa parecia não fazer a menor diferença para o motorista.
As horas passavam e Anita se desesperava, porque o ônibus entrava a cada segundo em lugares mais e mais desconhecidos (talvez aqueles lugares sobre os quais eu apenas escrevo). Depois de horas rodando sem destino o veículo começou a diminuir a velocidade, as portas se abriram e num movimento de “alívio” Anita pulou do carro ainda em movimento.
O ônibus fechou a porta e acelerou. Ela estava com as alças da bolsa pendurada no pescoço e num único grito: Droga! Aquela grávida levou a minha bolsa! A jovem de olhar intimidador e fixo havia cortado as alças da bolsa com a ajuda de uma tesoura. Ficou sem celular, sem dinheiro e estava agora no meio do descampado. Anita parecia se sentir perdida. Foi quando ela tomou consciência, e pensou: Isso é apenas um sonho é hora de acordar. Com uma única ordem ela fugiu do que parecia assustadoramente real.
Desde então Anita anda com medo de subir em ônibus. Acho que o inconsciente dela tá implorando pela carteira de motorista.